Sempre tive um certo capricho de me propor coisas difíceis por desafio, ou por auto-afirmação. E não raro estou sempre vencendo obstáculos, conseguindo provar pra todo mundo e pra mim mesma, que aquilo que parecia utópico demais ou até impossível, com um pouco de esforço e persistência, seria realizável. Tanto que vários amigos já se acostumaram à condição e dizem, quando entro numa nova empreitada: “Pra vc vai ser tranqüilo, vc sempre consegue tudo o que quer!”. Em outras palavras, não estou acostumada a perder.
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Entretanto, tudo isso cai por terra quando o assunto envolve outra pessoa. É, porque quando depende só de mim, é quase certa a vitória. Mas quando diz respeito a sentimentos, aí a coisa complica. Não é só a MINHA vontade que está em jogo.
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Paixão, mesmo, doentia, dessas loucas e desvairadas, só senti uma vez. Tudo porque no começo, havia me proposto um desafio: o de querer o mais improvável, o mais difícil, o mais complicado de todos. Opções, havia várias na época, sempre há. Até disso posso me gabar. Mas eu quero é aquele específico q só de olhar eu já sei q vai complicar minha vida, provocar fortes dores de estômago, tremores, dúvidas, inseguranças, noites de insônia e no final, um cansaço doloroso de ter me desgastado e me rendido tanto para conseguir apenas “migalhas roídas do teu pão”. E as mentiras sinceras me interessam. Mesmo depois de todas as derrotas eu consigo arrumar algum argumento profundo, filosófico e patético para me convencer de que a tal frase lá em cima continua sendo verdadeira.
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Cinco anos atrás, prometi a mim mesma que nunca mais sentiria paixão. Esse sentimento é maléfico, é destruidor. Eu, e somente eu, sei o quanto sofri naquela época! A pessoa em questão nem teve culpa de nada, ele foi só o sorteado pelo meu desafio inescrupuloso de adorar um amor inventado. Depois disso eu desinventei o amor e fui viver outra história, linda, romântica, sem essa de auto-afirmação, apesar de continuarem os desafios do difícil e improvável, dos obstáculos e problemas. Claro, se não tivesse tudo isso, eu não suportaria ficar três anos na mesma. Descobri que ser correspondida no amor também pode ser bom, sem eliminar a montanha-russa das dificuldades.
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Agora, depois de tanta coisa e tanta experiência, as dores no estômago voltaram a me atacar. Mas eu não sou mais aquela menina boba de cinco anos atrás. Embora eu consiga enxergar nitidamente que se trata de alguém bem distante do meu mundo, a idéia do desafio me tentou e foi mais forte! Misturou um tanto de sensações, fantasias, caprichos e até um bem-querer, tudo isso recíproco, mas não necessariamente na mesma ordem e intensidade. Estou há quase oito meses viciada nessa coisa passional. Sofro, choro, grito, brigo, mas ainda estou lá e aqui, assim como ele, insistindo na montanha-russa. Dá pra perceber o quanto ele gosta disso, do complicado e inconseqüente, do proibido e perigoso. Eu também. No fundo eu gosto. No fundo, e na superfície também. É uma forma meio doida de satisfazer meus caprichos e não posso negar que esse joguinho mútuo de desejo versus indiferença torna tudo ainda mais excitante. Sinto q não vou sair dessa tão cedo. A sensação é dolorida mesmo, mas há um prazer por trás disso tudo! Sou mesmo inconsequente. É a segunda vez. Sim, eu devo estar louca por me render a uma paixão neste nível e de um jeito tão exagerado. Será esta a minha ideologia? Não sei, mas deve fazer parte do meu show!